As exportações de vinhos portugueses enfrentam um desafio claro para os próximos anos. O Plano de Promoção Vini Portugal 2026 estabelece a meta de atingir 1,2 mil milhões de euros em vendas externas até 2030, um valor que só será possível com um crescimento médio anual de 3,68%.
Este ritmo está acima da média dos últimos dez anos, período em que o sector do vinho português registou um crescimento acumulado (CAGR) de 2,76% entre 2015 e 2024.
Os dados foram apresentados no Fórum Anual 2025, em Almeirim, e mostram a evolução recente do mercado, bem como a dimensão do esforço necessário para cumprir a meta.
Evolução recente das exportações
Nos últimos três anos, o comportamento das exportações de vinhos portugueses tem oscilado.
– 2022: crescimento de 1,41%
– 2023: quebra de –1,53%
– 2024: recuperação de 4,46%, atingindo 696,1 milhões de euros
– 2025 (Jan–Set): variação de 0,00%
Estes resultados revelam um sector sensível às condições económicas internacionais e reforçam a necessidade de uma estratégia sólida para acelerar o desempenho externo do vinho português.
Estratégia para impulsionar vendas até 2030
O plano define como prioridade aumentar a notoriedade da marca Wines of Portugal, reforçar o posicionamento distintivo do vinho português e apostar em mercados com maior capacidade de crescimento.
Três destinos concentram 45% do investimento total previsto para 2026:
– Brasil
– Estados Unidos
– Canadá
A presença em feiras estratégicas na Europa representa 22% do orçamento, com destaque para a Wine Paris e a ProWein, onde Portugal continua a aumentar área expositiva e número de produtores.
Além da promoção, a estratégia inclui:
– valorização do preço médio das exportações (meta de 3,19€/litro);
– reforço do enoturismo como elemento de diferenciação;
– maior visibilidade em ações de educação, comunicação e eventos de consumidores;
– aumento da adesão empresarial às certificações de sustentabilidade, com o objetivo de chegar a 40% das empresas envolvidas.
Crescimento depende de maior valor por garrafa
A Viniportugal sublinha que o futuro da internacionalização não passa apenas por vender mais volume, mas sobretudo por aumentar o valor do vinho português no mercado global.
O reforço da perceção de qualidade, aliado a campanhas consistentes, é apontado como caminho para elevar o preço médio e aproximar o sector da meta financeira de 2030.
O sector dos vinhos portugueses entra numa fase decisiva. Com vendas externas estagnadas em 2025 e um objetivo ambicioso para 2030, a execução rigorosa do plano de promoção será essencial.
O sucesso dependerá da capacidade de Portugal reforçar a sua presença internacional, captar novos consumidores e consolidar o vinho português como produto que tem mais elevado valor no mercado global.

