UE e Austrália fecham acordo: fim das tarifas sobre vinhos europeus

espumante portugal

A União Europeia e a Austrália concluíram as negociações do seu acordo de livre comércio (ALC), num desfecho que o setor vitivinícola europeu recebe com entusiasmo.

O acordo elimina imediatamente as tarifas de importação de 5% sobre os vinhos europeus na Austrália e reforça a proteção das indicações geográficas (IG) europeias — dois pontos centrais para os produtores de vinho do Velho Continente.

O anúncio foi feito a 24 de março de 2026 pelo Comité Europeu das Empresas Vitivinícolas (CEEV), que representa mais de 90% das exportações de vinho da UE.

Um mercado que já vale mais de 300 milhões de euros

A Austrália é atualmente o 11.º maior mercado de exportação para os vinhos da UE, com exportações que ultrapassaram os 304 milhões de euros na campanha 2024/2025. Os vinhos espumantes dominam este comércio, representando cerca de metade do total — reflexo da forte procura australiana por “bolhas” europeias, com destaque para o Prosecco, o Champagne e o Cava.

Em sentido inverso, os vinhos australianos exportados para a UE valeram 155 milhões de euros no mesmo período.

O que muda com o acordo

Para os vinhos portugueses e europeus em geral, o novo enquadramento traz três mudanças concretas:

  • Eliminação imediata das tarifas de 5% sobre as importações de vinho europeu na Austrália
  • Modernização do acordo bilateral vitivinícola, com reconhecimento simplificado das práticas internacionais de vinificação
  • Proteção reforçada das indicações geográficas, incluindo um calendário de eliminação progressiva do uso do termo “Prosecco” nas exportações australianas

Este último ponto foi um dos mais sensíveis de toda a negociação. “A eliminação faseada do uso de ‘Prosecco’ para as exportações australianas, juntamente com regras mais claras de rotulagem, não é um mau resultado tendo em conta a complexidade das discussões” – afirmou Ignacio Sánchez Recarte, Secretário-Geral do CEEV.

Competitividade europeia em tempo de incerteza

Para Marzia Varvaglione, Presidente do CEEV, o acordo chega num momento crítico: “Numa época de incerteza geopolítica e de aumento dos custos de produção e comercialização, este acordo oferece uma oportunidade concreta para diversificar as exportações e reforçar a competitividade global das empresas vitivinícolas europeias.”

O CEEV instou as instituições da UE a avançarem rapidamente para a ratificação, de forma a garantir que o acordo entra em vigor sem demoras.