As exportações de vinho português registaram uma quebra significativa no início de 2026, com recuos simultâneos no volume e no valor, segundo os dados preliminares do Instituto da Vinha e do Vinho .
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o volume exportado diminuiu 14%, enquanto o valor total caiu 12,3%. Em sentido contrário, o preço médio por litro subiu ligeiramente, fixando-se nos 2,79 euros, mais 1,9% do que no período homólogo.
Este comportamento indica uma contração real da atividade exportadora, com a valorização unitária a não conseguir compensar a redução das quantidades vendidas.
Vinhos certificados e IG com maiores perdas
A descida não se limita a um segmento específico. Os vinhos certificados, que representam uma fatia relevante das exportações, registaram uma queda de 15,5% em volume e 13,7% em valor. Dentro desta categoria, os vinhos com Denominação de Origem (DO) apresentam uma diminuição mais moderada, enquanto os vinhos com Indicação Geográfica (IG) evidenciam uma quebra mais acentuada, superior a 20%.
Também os vinhos não certificados seguem a mesma tendência, com reduções próximas de 12% em volume e cerca de 10% em valor.
Trata-se, portanto, de um movimento generalizado, sem segmentos claramente imunes à retração.
Porto recua, Madeira cresce em volume mas perde valor
Nos vinhos licorosos, a evolução é desigual. O vinho do Porto regista uma quebra expressiva, com menos 17,6% em volume e menos 12,8% em valor, embora com uma subida do preço médio.
Já o vinho da Madeira apresenta um comportamento distinto: o volume exportado aumenta 16,6%, mas o valor cai 22,5%. Esta divergência traduz uma descida significativa do preço médio, que perde mais de um terço do seu valor por litro.
Espumantes crescem, mas com forte pressão nos preços
O segmento dos espumantes é uma das poucas exceções em termos de volume, com um aumento expressivo de 83,2%.
Também o valor cresce, ainda que a um ritmo mais moderado (33,9%). No entanto, este crescimento vem acompanhado por uma queda acentuada do preço médio, superior a 25%, o que aponta para uma expansão baseada em segmentos de menor valor.
Menos exportação, ligeiramente mais cara
O quadro global é claro: Portugal exporta menos vinho e fatura menos, embora a um preço médio ligeiramente superior.
A subida global do preço por litro resulta sobretudo de ajustamentos em algumas categorias, não de uma valorização homogénea do setor.
Os dados do Instituto da Vinha e do Vinho confirmam, assim, um início de ano marcado por retração nas exportações, sem sinais consistentes de crescimento em valor que compensem a quebra do volume.
