Os vinhos do Alentejo geram mais de 1,45 mil milhões de euros para a economia portuguesa. O número, apurado num estudo da Universidade Nova SBE encomendado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), foi divulgado esta segunda-feira, 1 de junho, em simultâneo com o lançamento da plataforma Data+ e a apresentação do Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031.
Quanto vale o setor vínico do Alentejo para Portugal
O estudo socioeconómico quantifica pela primeira vez com este detalhe o peso da fileira alentejana na economia nacional. Para além dos 1,45 mil milhões de euros de impacto total, os vinhos do Alentejo acrescentaram cerca de 673 milhões de euros ao PIB, geraram 95 milhões em receita fiscal para o Estado — via IVA e IRS —, sustentaram mais de 21 mil empregos diretos e asseguraram 269 milhões de euros em remunerações.
No plano da produção, o Alentejo representa 16,4% da produção nacional de vinho, 16,8% da produção de vinho DOP e 19% da produção de vinho IGP. A região lidera ainda as vendas de vinhos certificados em Portugal, com cerca de 40% do valor total num universo de 14 regiões vitivinícolas.
Data+: nova plataforma de rastreabilidade para o setor vínico
A CVRA lançou simultaneamente a plataforma Data+, descrita como única no setor vitivinícola nacional.
A ferramenta reúne mais de cinco milhões de dados e permite monitorizar a produção, rastrear mercados e tratar informação estratégica por sub-região, casta e país de exportação.
O histórico cobre mais de 15 anos de atividade — com registos desde 1989, data de fundação da CVRA, o que torna o Alentejo a única região vitivinícola nacional com este arquivo contínuo de informação.
Segundo Luís Sequeira, presidente da CVRA, o objetivo é “aumentar o rigor e a transparência” e auxiliar os produtores na tomada de decisão estratégica, com atualização regular dos dados disponíveis.
Plano Estratégico 2026-2031: crescimento de 41% até ao final da década
O terceiro eixo do anúncio é o Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031, documento que define as prioridades da região para os próximos cinco anos. A meta central é um crescimento de 41,1% no volume total de negócio do setor até 2030 — correspondente a mais 158,9 milhões de euros de valor adicional.
O plano assenta em seis pilares: controlo e fiscalização, marketing e mercados, enoturismo, sustentabilidade, viticultura e enologia, e investigação e desenvolvimento.
A estratégia combina valorização do produto, reforço da presença internacional e crescimento do enoturismo — um vetor que tem ganho crescente peso no calendário vínico do Alentejo.
O documento resulta de um processo de consulta alargado ao setor, com produtores, especialistas, investigadores e agentes económicos.
O Alentejo exporta atualmente 30% da sua produção, tendo como principais destinos o Brasil, a Suíça, os EUA, o Reino Unido e a Polónia.
