Lisboa vai ter um novo encontro entre conservas e vinho. O CLÃ – Clube de Literacia Alimentar estreia-se este mês com um ciclo de três sessões dedicadas a espumantes e vinhos brancos da região de Távora-Varosa, harmonizados com conservas de peixe.
Os encontros acontecem nos dias 29 de julho, 05 e 12 de agosto, na esplanada da Mercearia Criativa, na Avenida Guerra Junqueiro
Quem está por trás do CLÃ
O projeto nasce da Ideias ao Lume, empresa fundada pela consultora Joana Pratas e pelo crítico de gastronomia e vinhos Edgardo Pacheco. A dupla já tem um percurso feito na promoção da cultura alimentar portuguesa: assina as Festas do Produto na Praça Beato, o Mercado ComVida e o evento vínico Alentejo à Grande, além da iniciativa Provar é Saber Alentejo.
O CLÃ junta-se agora a este conjunto de projetos, desta vez com um formato pensado para conversas informais em torno da mesa, sem academicismos e sem aquilo que Edgardo Pacheco define como “linguagem de enochato”.
A ideia de estrear o clube em plena silly season não é acidental: para os promotores, aprender e comer não têm calendário, e o verão lisboeta oferece o pretexto certo para juntar conservas, vinho e conversa numa esplanada.
Espumantes e vinhos brancos de Távora-Varosa
Para esta primeira edição, a Ideias ao Lume convidou a região de Távora-Varosa a “descer” até Lisboa. Cada uma das três sessões tem um tema próprio, sempre a partir do universo dos espumantes desta denominação:
- 29 de julho – “Conhecer o terroir de Távora-Varosa”, com foco na relação entre solo, clima e carácter dos vinhos da região
- 05 de agosto – “Como nasce e como se faz um espumante Távora-Varosa”, sobre o processo de produção
- 12 de agosto – “Os diferentes perfis dos espumantes Távora-Varosa”, uma prova comparativa de estilos
Os encontros vão decorrer na esplanada da Mercearia Criativa, na Avenida Guerra Junqueiro.
Horário: 17h00 às 21h00 (conversa com início às 19h00)
Lugares: limitados a 40 pessoas por sessão, sem bilhetes nem lugares marcados
Consumo: obrigatório — não há preço fixo de entrada, paga-se apenas o que for consumido
Segundo Edgardo Pacheco, perceber por que razão o solo e o clima moldam a personalidade destes espumantes é essencial para entender também por que um espumante pode acompanhar bem a diversidade de peixe em conserva hoje disponível no mercado.
Na sua leitura, o hábito de reservar o espumante para ocasiões especiais e a conserva para refeições rápidas já não faz sentido: há espumantes acessíveis e conservas com qualidade suficiente para integrar refeições mais elaboradas.
Conservas com “muita lata” e o programa das sessões
As sessões decorrem sempre entre as 17h00 e as 21h00, com as conversas conduzidas por Edgardo Pacheco a começar às 19h00. Não há bilhetes nem lugares marcados, mas os lugares são limitados a 40 pessoas por sessão e implicam consumo obrigatório.
No capítulo das conservas, o leque é propositadamente vasto e inclui referências pouco comuns:
- atum com batata-doce,
- bacalhau em azeite com alho e salsa,
- biqueirões,
- carapau em azeite picante,
- cavala com caril,
- filete de atum com sementes de funcho,
- fígado de bacalhau,
- filetes de cavala,
- flocos de atum com pimenta da terra,
- ovas de sardinha,
- peixe-espada, petingas,
- polvo em azeite com temperos,
- sardinha sem pele e sem espinhas,
- cavala fumada dos Açores e ventresca.
Rita Ferreira, proprietária da Mercearia Criativa, vai selecionar semanalmente conservas para serem provadas diretamente da lata, além de apresentar criações próprias que partem destas mesmas iguarias — caso do bacalhau à Brás feito a partir de bacalhau enlatado.