Duas quintas com história secular no Ribatejo, dois fins de semana de concertos, um programa que vai de Mozart a Piazzolla. O Festival Entre Quintas regressa em 2026 com datas entre 26 de junho e 5 de julho, divididas entre a Casa Cadaval e a Quinta do Casal Branco.
O festival tem a parceria da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e do seu diretor artístico, o maestro Nikolay Lalov. O programa inclui orquestra, recitais de piano, música de câmara, jazz afro, concerto de família e bel canto — géneros e formatos pensados para públicos diferentes.
As duas propriedades ficam a cerca de 50 minutos de Lisboa.
Programa do Festival Entre Quintas — Casa Cadaval
26 de junho | 21h30 — Concerto Inaugural Haydn, Tchaikovsky e Mozart com a OCCO.
Solista: Alexander Somov, violoncelo. Maestro Nikolay Lalov.
27 de junho | 18h00 — Virtuosismo Instrumental Beethoven “Kreutzer”, Saint-Saëns e Piazzolla. Giuseppe Andaloro, piano; Federica Vignoni, violino.
27 de junho | 21h30 — Recital Afro-Jazz Stewart Sukuma (voz e guitarra), Ruben Alves (piano), Ana Girão (canto) e banda. Repertório original do artista moçambicano.
28 de junho | 11h00 — Encontro Luso-Alemão de Jovens Beethoven, Weber e Brahms para clarinete, violoncelo e piano. Philipp Frings, Tetiana Bielikova, Adriana Gonçalves.
28 de junho | 18h00 — Amadeus Trio Beethoven, Schmidinger e Schubert. Wolfgang David, Wolfgang Panhofer, Bernhard Parz.
Programa do Festival Entre Quintas — Quinta do Casal Branco
3 de julho | 21h30 — Tributo a Bach, Piazzolla e Galliano Concertos de Bach para violino, cravo e oboé, Piazzolla e Galliano. Gonçalo Pescada, acordeão; solistas da OCCO.
4 de julho | 18h00 — Pianíssimo Liszt — excertos das Années de Pèlerinage. Suzana Bartal, piano.
4 de julho | 21h30 — Scheherazade Khatchaturian e Rimsky-Korsakov com a Orquestra Sinfónica de Cascais. Maestro Nikolay Lalov.
5 de julho | 11h00 — Concerto de Família Verdi, Tchaikovsky, Grieg, Stravinsky, Prokofiev e outros. Orquestra Juvenil de Cascais. Maestro Miguel Fialho.
5 de julho | 18h00 — A Arte do Bel Canto Mozart, R. Strauss e Weber. Inês Simões e Marina Pacheco, sopranos; Pedro Lopes, piano.
Bilhetes: ticketline.pt
Quinta do Casal Branco
Fundada em 1775, a Quinta do Casal Branco pertence há mais de oito gerações à família Braamcamp Sobral Lobo de Vasconcelos. A propriedade, que durante quatro séculos foi coutada real, estende-se por 1.100 hectares, dos quais 130 são ocupados por vinha em solos de charneca.
A primeira adega data de 1817. No início do século XX chegaram maquinaria a vapor, novas castas e uma ampliação da adega. A quinta está inserida na região vitivinícola do Tejo e produz vinhos há mais de dois séculos.
O festival presta homenagem a Maria Lívia Braamcamp Sobral, figura central da história da propriedade. Hoje, José Lobo de Vasconcelos lidera a equipa com foco na sustentabilidade económica, social e ambiental, e na projeção dos vinhos do Tejo além-fronteiras.
Casa Cadaval
A Herdade de Muge tem história anterior à própria família Cadaval — em tempos, a propriedade terá sido residência da Rainha D. Leonor de Áustria. A ligação à Casa Cadaval estabeleceu-se no início do século XVII, quando Dona Maria de Faro se casou com o 1.º Duque de Cadaval. Hoje, a Casa Cadaval totaliza cerca de 5.400 hectares e é gerida, há cinco gerações consecutivas, por mulheres. A presidente do conselho de administração é Teresa Schönborn, Condessa de Schönborn e Wiesentheid.
A tradição vitivinícola na Herdade de Muge remonta aos romanos. Os solos — sedimentares, resultantes de um antigo delta do estuário do Tejo — combinam superfícies arenosas com camadas argilosas em profundidade. Essa estrutura garante humidade contínua à vinha nas épocas secas. Os minerais marítimos presentes influenciam diretamente os vinhos, marcados por frescura e mineralidade.