A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) aprovou por unanimidade, em reunião do Conselho Geral, a criação das denominações “Vinhas Velhas” e “Vinhas Centenárias” e alargou a certificação do Vinho de Talha a toda a região do Alentejo.
A medida, anunciada a 17 de agosto de 2026, integra o Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo 2026-2031 e visa reforçar a proteção do património vitivinícola e a estratégia de premiumização da região.
Vinhas Velhas e Vinhas Centenárias: os critérios
A CVRA definiu dois patamares distintos para classificar o valor das parcelas mais antigas do Alentejo. A denominação “Vinhas Velhas” aplica-se a vinhas com um mínimo de 35 anos, enquanto “Vinhas Centenárias” é reservada a parcelas com registo anterior a 1931 — ou seja, com quase um século de idade.
O critério de idade associa-se a menores rendimentos por hectare e a processos de produção mais exigentes, o que a CVRA associa diretamente ao posicionamento premium dos vinhos da região.
Alentejo e Douro: como se comparam as classificações de vinhas velhas
O Alentejo não é a primeira região portuguesa a regulamentar formalmente a idade das vinhas.
O Douro tinha dado esse passo em dezembro de 2020. O Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) criou a menção “Vinhas Velhas” para os vinhos DOC Douro e Vinho do Porto.
O patamar exigido é mais alto: 40 anos, além de um mínimo de quatro castas e 5.000 cepas por hectare.
O limiar de 35 anos escolhido agora pelo Alentejo aproxima-se, ao invés, do critério internacional definido pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), que fixou essa idade como referência global para “vinha velha”.
Já a fasquia da centenária varia bastante entre regiões: em Barossa, na Austrália, por exemplo, esse patamar está nos 100 anos, com categorias intermédias e adicionais até aos 125 anos.
Estas classificações, tal como as categorias DOP, DOC e IGP que já regem o rótulo dos vinhos portugueses, servem sobretudo para orientar o consumidor e proteger o património vitícola de cada região.
Vinho de Talha: uma tradição milenar agora certificável em toda a região
A principal novidade prática da medida é a possibilidade de certificar Vinho de Talha produzido em qualquer sub-região do Alentejo, e não apenas nas zonas onde a certificação já existia.
O método, que usa talhas de barro na vinificação, mantém-se ativo há mais de dois mil anos e é uma das tradições mais características do património vitivinícola alentejano — o Alentejo é uma das duas únicas regiões do mundo a produzir Vinho de Talha de forma contínua há esse período.
A regulamentação resultou de um trabalho técnico da CVRA com enólogos, historiadores e outros especialistas do setor, definindo com rigor os critérios do método de produção.
Quem quiser conhecer esta tradição de perto pode consultar o calendário de eventos de vinho no Alentejo, onde surgem regularmente provas dedicadas ao Vinho de Talha.
Alentejo em números: liderança consolidada no mercado nacional
O Alentejo é a região vitivinícola mais forte de Portugal. Os dados são do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), apresentados no Fórum Anual dos Vinhos de Portugal 2025.
Quota de mercado dos vinhos tranquilos certificados (janeiro–setembro 2025):
- Alentejo: 35,8% do volume | 37,1% do valor
- Douro: 16,9% do volume (2.º lugar em volume)
- Minho: 23,3% do valor (2.º lugar em valor, impulsionado pelos Vinhos Verdes)
Este domínio soma-se ao peso do Alentejo nas exportações portuguesas de vinho.
Exportações de vinho português em 2024:
- Valor total: 964 milhões de euros
- Volume total: 3,4 milhões de hectolitros
- Crescimento face a 2023: +4,3% em valor, +5,6% em volume
- Posição de Portugal no ranking mundial: 7.º em volume, 9.º em valor
Top 5 mercados de destino (2024):
Representam 44,1% do valor total exportado.
França, Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Países Baixos
