No dia 1 de agosto de 2026 realizou-se a primeira edição do Vinhos à Descobrir na Figueira da Foz, um evento organizado pela Vinhos à Descobrir.
Uma das primeiras características que despertou a nossa atenção foi o horário do evento, entre as 17h00 e as 22h00. Do ponto de vista do público, esta opção parece-nos bastante acertada.
Durante o verão, permite visitar o evento ao final da tarde ou durante a noite, quando a temperatura já é mais agradável, evitando a escolha entre passar o dia na praia ou participar numa prova de vinhos.
Chegámos ao recinto por volta das 20h30. O processo de entrada foi simples: bastou apresentar o QR Code do bilhete adquirido online. À entrada recebemos um copo de prova e três senhas em papel com o logótipo da organização.
Foi precisamente neste momento que surgiu a primeira surpresa da noite.
Ao perguntarmos para que serviam as senhas, foi-nos explicado que cada uma correspondia a uma prova de vinho, estando incluídas apenas três provas no preço do bilhete. Caso o visitante pretendesse provar mais vinhos, teria de adquirir senhas adicionais.
Este modelo chamou a nossa atenção. Habitualmente, nos eventos vínicos realizados em Portugal, o valor do bilhete permite provar os vinhos apresentados pelos produtores participantes, dando ao visitante a oportunidade de comparar diferentes estilos, descobrir novas referências e identificar aquelas que mais lhe agradam para futuras compras.
Naturalmente, trata-se de uma opção perfeitamente legítima por parte da organização. Apenas consideramos que teria sido útil encontrar esta informação de forma mais visível na descrição do evento ou durante o processo de compra do bilhete.
Dessa forma, os visitantes chegariam já informados sobre o funcionamento das provas e poderiam decidir antecipadamente se pretendiam adquirir senhas adicionais.
A segunda surpresa surgiu já dentro da sala. Em comparação com outros eventos semelhantes, onde é comum encontrar quinze, vinte ou mais produtores, nesta primeira edição participaram sete expositores.
Produtores presentes
Os produtores presentes nesta edição foram:
- Pedra Só (Bairrada)
- Myrtillus
- Quinta da Lapa (Tejo)
- Casa da Urra (Alentejo)
- Casa do Piáska (Douro)
- Carlos Alonso Douro Wines
- Quinta da Samarra
Apesar do número reduzido de participantes, esta dimensão também teve um lado positivo.
O ambiente era tranquilo, sem filas nem aglomerações, permitindo conversar calmamente com os produtores, conhecer melhor os seus projetos e esclarecer dúvidas diretamente com quem produz os vinhos.
Na prática, em cerca de 30 minutos foi possível utilizar as três provas incluídas e conversar com os produtores cujos vinhos decidimos conhecer.
O vinho Pedra Só que mais nos agradou
Como acontece frequentemente neste tipo de eventos, a visita terminou também com uma compra.
O vinho que mais nos impressionou foi o Pedra Só Reserva Maria Gomes 2023, um vinho branco DOP Bairrada, produzido e engarrafado por Idálio de Oliveira Estanislau, em Ourentela, Cordinhã, Portugal.
Segundo a descrição do produtor presente no rótulo:
“Cor citrina, no aroma uma conjugação de fruta tropical e ligeiros laivos cítricos. Na boca bastante fresco e elegante.”
Com 12% de volume alcoólico, revelou-se um vinho fresco, equilibrado e muito agradável para os dias quentes de verão, sendo a nossa escolha desta primeira edição do evento.
Conclusão
A primeira edição do Vinhos à Descobrir Figueira da Foz 2026 deixou uma impressão globalmente positiva.
O horário revelou-se muito conveniente para uma iniciativa realizada em pleno verão, a entrada decorreu de forma simples e a dimensão reduzida do evento proporcionou um contacto próximo entre visitantes e produtores.
Como acontece em muitas primeiras edições, existem naturalmente alguns aspetos que poderão ser aperfeiçoados no futuro.
Uma comunicação mais visível sobre o sistema de senhas para as provas ajudaria os visitantes a conhecer antecipadamente o funcionamento do evento e a planear melhor a sua experiência.
Da mesma forma, seria interessante contar com um maior número de produtores participantes, aumentando a diversidade de regiões e de vinhos disponíveis para prova.
Apesar destes pontos, foi uma estreia interessante para a cidade da Figueira da Foz e esperamos que as próximas edições continuem a crescer.



